Pedala, Robinho
Mais um golaço do ‘Pânico’: Merchan Neves e seus anões clones de jogadores conquistam o público
Zean Bravo
Com passagens por outros canais, o anão Nestor Bertolino Neto, 36 anos, agora experimenta a popularidade parodiando o jogador Robinho no Pânico na TV. O lado ruim é que toda vez que Carlos Alberto da Silva, o Mendigo do humorÃstico da Rede TV!, se transforma em Merchan Neves (sátira do comentarista esportivo Milton Neves) sobram tapas no anãozinho. Seu bordão, ‘Pedala, Robinho!Â’, é sempre acompanhado de pancadas. “O tapinha é de raspão, ele simula para parecer que é forte”, garante Nestor, que forma dupla com outro anão, José Rodrigues da Conceição, 37, no ‘papelÂ’ do jogador Tevez.
Carlos Alberto, ou Carlinhos, desmente o anão. “Pode falar que bato nele, sim! O tapa é de verdade, eu que pedi para ele não falar”, entrega o humorista.
Humorista e anões agora também apanham na rua
Com média de 10 pontos de audiência e pico de 16 neste último domingo – superou o recorde de 15,5 pontos do programa com a aparição de Silvo Santos, há duas semanas – o sucesso do Pânico criou um inconveniente para Carlinhos. “Apanho em todo lugar. E olha que sou grande (1,80 metro) e largo. Se soubesse que iria tomar tanto tapa não teria inventado isso. Outro dia estava com o Bola e deixei o carro com o manobrista. Ele me reconheu e deu um tapão nas costas”, lembra o humorista, 25 anos.
Nestor diz que o bicho pega quando gravam em meio às torcidas. “Apanhei e fiquei com raiva. Corri atrás de um cara que me bateu na rua, mas não alcancei. De cada três pessoas, uma mexe comigo”, diz o anão. Carlinhos já estressou o colega. “Ele já quis sair no braço comigo por causa dos tapas. Numa gravação dei um tão forte que ele deu uns quatro passos para frente. O diretor entrou no meio e falei: ‘Relaxa, você ganha cachê para levar uns três tapinhas’”, recorda Carlos.
Ele conta que a paródia surgiu por acaso. “Imitava o Milton de brincadeira. Adoro criar bordão. Inventei o ‘Pedala, Robinho!’ porque o Milton vivia falando da pedalada dele, puxava muito o saco. Assim como o Galvão Bueno puxa o do Ronaldinho. O Merchan é porque, de cada cinco palavras que ele fala, uma tem que ter merchandising”, explica o humorista.
Milton Neves citou bordão do Pânico na Record
Fã da imitação, Milton não só aprovou, como pegou carona na piada. Na edição do domingo do Terceiro Tempo, na Record, ele repetiu o bordão. “Quando o Milton falou ‘Pedala, Renata!’ não acreditei, a platéia caiu na risada”, conta a assistente do Milton, Renata Fan. “Já colocaram um anão com uma peruca loura. Não ligo. Há 500 anos que o domingo era o mesmo com o Faustão, ninguém agüentava mais”, reclama ela.
Milton trabalha na mesma rádio dos humoristas, em São Paulo, e disse onde compra seus óculos e ternos. “Quero levar o Carlinhos no Jassa (cabeleireiro de Silvio Santos) para cortar a peruca igual ao meu cabelo”. Ele entrega: “Pela polêmica do meu trabalho não posso ir aos estádios. Carlos está recebendo muito tapa de torcedor por mim”, ri por último.
Craque apanha
PALHAÇADA. Presidente da Associação Gente Pequena, Hélio da Silva Pottes reclama: “Anão sempre foi bobo da corte. Acham que somos palhaços. Brigamos para tirar essa imagem. Quando o anão apanha na TV tem que mostrar que aquilo é personagem. O Pânico exagera, mas o erro não é deles. Os anões é que têm que se valorizar”.
ROBINHO. “Milton Neves disse que Robinho gostava do quadro e achei que tinha liberdade de dar um tapa de verdade nele. A cabeça até foi para frente. Ele lançou um olhar para intimidar”, confessa Carlinhos.
JAPA. “Carlos foi criado na Febem e começou como office boy na rádio. No ‘PânicoÂ’ começou como coadjuvante e virou o terceiro elemento, ao lado do Repórter Vesgo e do Silvio Santos. E ainda está pegando a japa, como dizem por aÔ, lista Milton Neves, referindo-se ao namoro de Carlos com Sabrina Sato.
SABRINA. “Não sou masoquista,quando chega um marmanjo com a Playboy para autografar, saio de perto. Na rua os caras a chamam de gostosa na minha frente. Fico nervoso, ela não liga”, entrega Carlos.
INFÂNCIA. “Fugi de casa aos 2 anos, com meus dois irmãos. Meu pai nos espancava. A gente se perdeu na rua, fui para a Febem e para um colégio interno. Desde os 4 anos que pulava de galho em galho. Nunca mais vi meus irmãos, nem procurei. Nem deu tempo de criar afeto”, diz Carlos. “Tinha problema com isso, vergonha de contar para a Sabrina. O EmÃlio (Surita, lÃder do ‘PânicoÂ’) soube minha história e contou no ar. Hoje não ligo mais.”
JORNAL O Dia