“No teatro a gente diz ‘Merda!Â’. Para mim é a mesma coisa no cinema. Eu digo: ‘Más crÃticas’”, dizia Daniel Filho, produtor do filme “Irma Vap — O retorno”, na estréia do longa dirigido por Carla Camurati, anteontem, no Downtown. No elenco, Marco Nanini, Ney Latorraca, Marcos Caruso, Thiago Fragoso e Fernando Caruso interpretam a história da remontagem do sucesso “O mistério de Irma Vap”, peça que ficou 11 anos em cartaz no filme e na vida real. Antes da sessão, Daniel, que este ano trabalha em sete filmes, entre produção e direção, acalmava a equipe contando sua experiência: “A Carla liga muito para a crÃtica. Eu tenho medo é de crÃtica boa. Se eu fosse ligar para as crÃticas ruins de ‘Se eu fosse você’... Comigo, as más crÃticas têm dado muito certo”, dizia ele para Marco Nanini.
“Red carpet total. Camisa cheia de brilho. Um luxo!”, elogiava Guilhermina Guinle diante do figurino da estréia escolhido por Ney Latorraca, uma camisa social estampada branca e azul com carreiras de paetês transparentes. “É fashion. Mas é muito manjada”, desdenhava ele. Carla Camurati também caprichou no visual, planejado para combinar com o filme. Vestiu uma blusa vinho, “da cor da Irmã Vap”, de Isabela Capeto bordada com muitos, muitos crucifixos dourados.
“Diz o Ney que trabalhamos juntos há 22 anos. Eu, como não sei fazer conta, acredito nele”, dizia Nanini. O ator deu entrevistas, posou para fotos ao lado de Latorraca e foi alvo da dupla de humoristas do “Pânico na TV”, SÃlvio e Vesgo, que mediram o tamanho da orelha do ator. “É maior que a do Lima Duarte. Tem 10,5 cm”, diziam, com uma trena nas mãos. “A orelha não vale, tem que medir o nariz, é muito maior”, respondia Nanini, elegante e paciente, entrando na brincadeira boba da dupla.
“Ah, eu queria fazer um filme com todos meus imitadores e eu ia ser só uma sombra. É bom ter muitos seguidores. Tem a Maria Padilha, o Eri Johnson, o Paulinho Moska. Depois eu processava todos eles”, divertia-se Ney antes de seguir para a sala de projeção. Um de seus imitadores, Fernando Caruso, usava a camisa da peça “O mistério de Irma Vap”, presente de Ney, para sua própria estréia no cinema.
A abertura do filme, com os agradecimentos aos patrocinadores, é inovadora. Carla Camurati, Nanini e Latorraca, com a mesma roupa que usavam na estréia, agradecem na tela aos apoiadores, como se falassem ao vivo. Ao final, um texto sobre tela preta agradece aos nomes que eles “esqueceram”: Exu, Ogum, Iansã, Nossa Senhora Desatadora dos Nós...
Paulo Betti, Marieta Severo, Diogo Vilela e Louise Cardoso citam Tennessee Williams, Sófocles, Shakespeare na participação “afetiva”, como definiu a diretora, na primeira cena do longa, em que eles citam frases de peças clássicas no enterro do produtor teatral de “O mistério de Irma Vap”. Até Adriana Falcão, uma das três roteiristas do filme, faz uma ponta na cena.
Na saÃda, Fernanda Lima sofreu um pequeno acidente quando seu vestidão estampado, que arrastava no chão, ficou preso na escada rolante.
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| Jornal: O GLOBO |
Autor: |
| Editoria: Segundo Caderno |
Tamanho: 1086 palavras |
| Edição: 1 |
Página: 3 |
| Coluna: Gente Boa |
Seção: |
| Caderno: Segundo Caderno |
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